Protocolo clínico

Elevação do seio maxilar

Abordagem lateral e transcrestal explicadas passo a passo, com critérios de escolha, gestão de complicações e treino em pacientes reais em São Paulo.

Quando o seio maxilar deixa de ser um obstáculo

A reabsorção da maxila posterior e a pneumatização do seio reduzem frequentemente a altura óssea disponível para menos de 6 mm. A elevação do pavimento do seio recria esse volume e permite colocar implantes em posição protética correta. A decisão entre abordagem lateral e transcrestal depende sobretudo da altura óssea residual, da anatomia do seio e da experiência do operador — e é isso que treinamos, caso a caso, com supervisão direta.

Revisto clinicamente em agosto de 2026

Lateral vs. transcrestal: como decidir

Duas abordagens válidas, indicações diferentes. O erro mais comum é forçar a técnica menos invasiva num caso que exige acesso lateral.

Abordagem lateral (janela)

  • Indicada sobretudo com altura óssea residual inferior a 4-5 mm ou necessidade de grande ganho vertical.
  • Visão direta da membrana de Schneider: facilita o descolamento e a gestão de septos.
  • Permite maior volume de enxerto e colocação diferida ou simultânea dos implantes.
  • Mais morbilidade pós-operatória: edema, hematoma e tempo cirúrgico superior.

Abordagem transcrestal

  • Indicada com altura residual suficiente para estabilidade primária (habitualmente ≥ 5 mm) e ganho vertical moderado.
  • Osteótomos ou fresas de osseodensificação (Densah) preservam e condensam osso enquanto elevam o pavimento.
  • Menos invasiva, menos edema e recuperação mais rápida para o paciente.
  • Elevação às cegas: exige controlo tátil rigoroso e leitura atenta do CBCT para evitar perfurações.

O protocolo em 7 fases

Sequência executada pelos participantes em pacientes reais, sob supervisão direta dos docentes.

  1. 01

    Leitura do CBCT e seleção do caso

    Medição da altura e espessura ósseas, identificação de septos, avaliação da espessura da membrana, da patência do óstio e do trajeto da artéria alveolar póstero-superior.

  2. 02

    Escolha da abordagem e do biomaterial

    Decisão entre janela lateral e via transcrestal, definição de colocação simultânea ou diferida dos implantes e seleção do enxerto (xenoenxerto, mistura com osso autógeno) associado a PRF.

  3. 03

    Retalho e acesso

    Retalho de espessura total com descargas suficientes na via lateral e osteotomia da janela com piezocirurgia ou broca diamantada; na via transcrestal, acesso pela própria osteotomia do implante.

  4. 04

    Descolamento da membrana de Schneider

    Descolamento progressivo com curetas específicas mantendo sempre contacto ósseo, ou elevação hidráulica/por osteótomos na via transcrestal. Confirmação da integridade com a manobra de Valsalva.

  5. 05

    Enxerto e PRF

    Preenchimento sem compactação excessiva, uso de membranas de PRF como camada protetora da membrana sinusal e melhoria da cicatrização com fatores de crescimento autólogos.

  6. 06

    Implantes e encerramento

    Colocação simultânea quando há estabilidade primária suficiente, encerramento da janela com membrana e sutura sem tensão.

  7. 07

    Pós-operatório e controlo

    Instruções sinusais (não assoar, evitar esforço e voar nos primeiros dias), medicação, e controlo radiográfico da maturação do enxerto antes da carga.

Casos e radiografias reais

Imagens de cirurgias e instrumentação das edições anteriores da residência em São Paulo.

Radiografia panorâmica com maxila posterior reabilitada após elevação do seio
Radiografia de controlo com implantes na maxila posterior enxertada
Close-up cirúrgico durante osteotomia na maxila posterior
Fresas de osseodensificação usadas na elevação transcrestal do seio
Kit cirúrgico preparado para cirurgia de elevação do seio maxilar
Membranas de PRF preparadas para proteger a membrana sinusal

Perguntas frequentes

Com quanto osso residual posso colocar o implante no mesmo tempo cirúrgico?

O critério não é o número, é a estabilidade primária. Com 4-5 mm de osso residual e boa qualidade é habitualmente possível colocar em simultâneo; abaixo disso, a colocação diferida é mais previsível.

O que fazer perante uma perfuração da membrana?

Perfurações pequenas podem ser seladas com membranas de colagénio ou PRF e a cirurgia prossegue. Perfurações extensas, com perda de contenção do enxerto, justificam adiar e reintervir após cicatrização.

Quanto tempo esperar antes de carregar os implantes?

Depende do volume enxertado e da estabilidade obtida: tipicamente 4 a 6 meses em elevações transcrestais e 6 a 9 meses em janelas laterais com grande ganho vertical.

Vou executar esta técnica durante a residência?

Sim. A elevação do seio faz parte dos módulos cirúrgicos executados pelos participantes em pacientes reais, com supervisão contínua dos docentes.

Quem assina este protocolo

Dr. João Borges Nogueira

Dr. João Borges Nogueira

Cirurgião oral com prática clínica em Paris, dedicado à implantologia avançada, regeneração e formação internacional de médicos dentistas.

Dr. Gonçalo Castilho

Dr. Gonçalo Castilho

Especialista em implantologia oral, com prática clínica em Portugal e foco em reabilitações totais, planeamento digital e casos de reconstrução complexa.

Quer elevar o seu primeiro seio com supervisão?

Na residência intensiva em São Paulo, cada participante opera casos de elevação do seio, ROG, All-on-4 e PRF em pacientes reais, com acompanhamento clínico contínuo.