Protocolo clínico
Regeneração óssea guiada (ROG)
Como recriar volume ósseo horizontal e vertical com membranas, biomateriais e PRF — critérios de decisão, execução passo a passo e prática em pacientes reais em São Paulo.
Sem osso não há posição protética
A reabsorção pós-extração é maior no sentido vestibulo-palatino e, sem regeneração, obriga a posicionar o implante fora do envelope protético. A ROG usa o princípio da exclusão celular: uma membrana mantém o espaço e impede a invasão de tecido mole, enquanto o enxerto sustenta o coágulo e serve de andaime para o osso novo. O resultado depende de quatro fatores — estabilidade do coágulo, estabilidade da membrana, encerramento sem tensão e tempo de cicatrização suficiente.
Revisto clinicamente em agosto de 2026
Membrana reabsorvível vs. não reabsorvível
A escolha da membrana segue o tipo de defeito. Defeitos contidos toleram colagénio; defeitos não contidos e ganhos verticais exigem manutenção rígida de espaço.
Colagénio reabsorvível
- Indicada em defeitos contidos, deiscências e fenestrações com paredes de suporte.
- Não exige segunda cirurgia de remoção e perdoa melhor uma exposição precoce.
- Pouca rigidez: precisa de suporte do enxerto ou de pinos/parafusos tenda.
PTFE-d / titânio reforçado
- Indicada em defeitos não contidos e regeneração vertical, onde a manutenção de espaço é crítica.
- Fixação com parafusos ou tachas para eliminar micromovimento da membrana.
- Exposição é a complicação principal: exige encerramento passivo rigoroso e remoção programada.
O protocolo em 6 fases
Sequência executada pelos participantes em pacientes reais, sob supervisão direta dos docentes.
- 01
Diagnóstico do defeito no CBCT
Classificação do defeito (horizontal, vertical ou combinado), contagem de paredes remanescentes e planeamento protético reverso para definir o volume realmente necessário.
- 02
Retalho e preparação do leito
Retalho de espessura total com acesso amplo, limpeza do defeito e perfurações corticais para abrir os canais medulares e trazer células e vascularização ao enxerto.
- 03
Enxerto: mistura e camadas
Osso autógeno particulado junto à cortical para osteogénese e xenoenxerto de reabsorção lenta na camada externa para manter volume a longo prazo, hidratados com PRF líquido (sticky bone).
- 04
Membrana e fixação
Adaptação da membrana com extensão de 2-3 mm para além do defeito e fixação com tachas ou parafusos. Membranas de PRF por cima aceleram a cicatrização dos tecidos moles.
- 05
Encerramento passivo
Incisão periosteal de libertação e sutura em dois planos (colchoeiro horizontal + pontos simples). Tensão no retalho é a principal causa de exposição e de perda do enxerto.
- 06
Cicatrização e reentrada
4 a 6 meses de maturação consoante o tipo de defeito, controlo radiográfico e reentrada para colocação do implante ou remoção da membrana não reabsorvível.
Casos e imagens da residência
Registos clínicos das edições anteriores: planeamento, enxerto e controlo radiográfico.





Perguntas frequentes
Regeneração horizontal e vertical têm a mesma previsibilidade?
Não. O ganho horizontal é muito mais previsível. A regeneração vertical exige manutenção rígida de espaço, fixação da membrana e encerramento perfeito — é uma indicação de curva de aprendizagem avançada.
O que fazer se a membrana ficar exposta?
Com membranas de colagénio e exposição pequena, mantém-se vigilância e higiene com clorexidina. Com PTFE-d, remove-se de forma programada e antecipada perante sinais de infeção, para salvar o máximo de enxerto.
Pode colocar-se o implante em simultâneo com a ROG?
Sim, sempre que houver estabilidade primária e o implante possa ficar em posição protética correta com deiscência contida. Em defeitos extensos ou verticais, a abordagem faseada é mais segura.
Que papel tem o PRF na ROG?
O PRF não substitui o enxerto: melhora o manuseamento do biomaterial (sticky bone), acelera a cicatrização dos tecidos moles e reduz a morbilidade pós-operatória.
Quem assina este protocolo

Dr. João Borges Nogueira
Cirurgião oral com prática clínica em Paris, dedicado à implantologia avançada, regeneração e formação internacional de médicos dentistas.

Dr. Gonçalo Castilho
Especialista em implantologia oral, com prática clínica em Portugal e foco em reabilitações totais, planeamento digital e casos de reconstrução complexa.
Quer fazer a sua primeira ROG com supervisão?
Na residência intensiva em São Paulo, cada participante opera casos de ROG, elevação do seio, All-on-4 e PRF em pacientes reais, com acompanhamento clínico contínuo.
